EAD para a área de saúde não pode ser 100%

O cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, secretário geral do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) e professor universitário, proferiu uma palestra durante a plenária da FIO acerca do EAD (Educaçao à Distância) na saúde. Durante a palestra, Manfredini agradedeu o convite e afirmou que quando a FIO convida é uma prioridade para ele devido à identidade histórica e política que tem com a Entidade. “Acho importante o trabalho da FIO, uma Federação que cumpre um papel estratégico na defesa da Odontologia, comprometida com os interesses da sociedade brasileira. Ao final da palestra, Manfredini fez este rápido depoimento para o site da FIO sobre as questões que envolvem o ensino à distância. Veja a seguir:

“Nós temos visto nos últimos meses um açodamento muito grande na questão da expansão dos cursos de educação à distância 100% EAD. Acho importante deixar claro que nós não somos contra a incorporação do ensino à distância e das ferramentas de inovação tecnológica que essa modalidade de ensino pode trazer.

Há várias áreas do conhecimento humano  inclusive dentro da área da saúde que podem ser trabalhadas sob a perspectiva da educação à distância. O nosso posicionamento é contrário a que os cursos sejam 100%  EAD. Que tenham a formação só por educação à distância. E a gente tem visto nos últimos meses, em especial depois da edição de um decreto do governo Federal, a ampliação do número de vagas em EAD, inicialmente para outras áreas da saúde. Por enquanto não há uma autorização de vagas para Odontologia em cursos 100% EAD, mas temos informações que grupos empresariais já estão se mobilizando no sentido de organizarem cursos dessa natureza.

Os impactos disso para a população: uma formação 100% EAD desaproxima o aluno do contato com o paciente, ele fica sem o contato humano, que é uma questão fundamental na relação cuidador e quem vai ser cuidado. Por outro lado vai trazer uma redução do mercado de trabalho para os profissionais que hoje participam das redes de formação no país, até porque a incorporação do EAD significa na prática uma menor quantidade de pessoas trabalhando no setor privado. E isso interessa fundamentalmente aos grandes grupos internacionais que hoje estão entrando e tomando cada vez mais conta do setor de educação no país. Por outro lado, em evento realizado semana passada na câmara dos deputados, ficou patente o posicionamento tanto do ministério da Educação quanto do Conselho Nacional de Educação em defesa da ampliação da formação por  educação à distância, até porque é uma meta do plano nacional de educação que um terço da população venha a ter a formação em ensino superior. Então nós entendemos que o posicionamento da FIO em estar no dia de hoje fazendo este debate é de se suma importância, primeiro porque ela preserva a questão da saúde da população, até porque um profissional formado integralmente em educação à distância vai ser um profissional que não vai ter um desempenho adequado, vai ter uma formação deficiente e vai prejudicar o atendimento à população. Por outro lado também uma preocupação da FIO com as pessoas que hoje trabalham no setor de educação”.

Fonte: Fio

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